ANDORINHA.
No Rio Grande do Sul, são encontradas onze
das quatorze espécies de andorinhas brasileiras, três das
quais apenas no verão. Uma outra espécie passa o inverno
aqui e, no verão, migra para o Sul, rumo à Patagônia.
As andorinhas passam a maior parte do tempo no ar,
à cata de insetos. Têm um vôo rápido (até
145 km/h) e ágil. Muitas vezes aparecem em bandos, pousadas nos
fios, antenas e telhados, ao contrário dos andorinhões, que
pertencem a outra família, e que costumam pousar em lugares inacessíveis.
Uma das andorinhas mais comuns no Rio Grande do Sul
é a andorinha-de-testa-branca (Tachycineta leucorrhoa), de 13,5
cm, que mostra o ventre todo branco e verde-azulado, reluzente e escuro.
ANU-BRANCO (Guira guira).
Chamamos de anu-branco uma ave mais conhecida nesta
região por alma-de-gato e rabo-de-palha e, em outras, por pelincho
e outros nomes.
Alma-de-gato e rabo-de-palha são nomes inadequados
porque designam também outras aves. Pelincho é um nome usado
apenas no Rio Grande do Sul.
Por esses motivos e por ser o anu-branco um nome
muito usado, inclusive em outros estados, deve-se dar preferência
a ele. Além disso, trata-se de uma ave que tem parentesco com o
anu, o que torna a denominação apropriada.
O anu-branco tem 40 cm de comprimento e pode ser
visto em pequenos bandos tanto na cidade como nos campos e beira de matas.
Tem uma cauda comprida e frouxa e voa baixo.
Pousa de modo muito desajeitado, levantando a cauda
e dando a impressão de que vai capotar para a frente. Tem bico e
olhos alaranjados, dorso marrom, peito esbranquiçado e uma crista
frouxa.
BEIJA-FLOR.
Existem 319 espécies de beija-flor, das quais
apenas 18 ocorrem no nosso estado, sendo dez comuns. O beija-flor, também
chamado de colibri, chupa-flor, pica-flor, chupa-mel, cuitelo, guanambi,
guinumbi, guainumbi e guanumbi, tem características únicas:
além de ser uma das aves mais velozes, só ele consegue parar
no ar, voar para trás e em qualquer outra direção.
A menor ave que se conhece é um beija-flor,
de Cuba.
Normalmente são bem coloridos, com reflexos
metálicos, mas há beija-flores preto-e-brancos, também
muito bonitos. São corajosos e belicosos, brigando com outros beija-flores
e aves de outras espécies. Entretanto, nos bebedouros onde se põe
água-doce, permitem que as cambacicas venha beber ao mesmo tempo
que eles, sem importuná-las (o beija-flor-dourado, pelo menos).
Têm visão e audição muito
aguçadas. As espécies migratórias podem percorrer
mais de 800 km em um só vôo.
Não sabemos a que espécie pertencem
os beija-flores de Lagoa Vermelha. Têm cerca de 10 cm e plumagem
verde e azul, em vários tons.
BEM-TE-VI (Pitangus sulphuratus).
Este é um pássaro muito conhecido,
principalmente pelo seu canto inconfundível. Prefere as proximidades
dos rios e banhados mas aparece também nas cidades. Tem 25 cm de
comprimento e cores vivas: amarelo no ventre, marrom no dorso e cabeça
escura com sobrancelha branca. É parecidíssimo com o neinei,
mas os cantos são bem diferentes. Em outras regiões é
conhecido por pituã e triste-vida.
CAMBACICA (Coereba flaveola).
A cambacica é também conhecida por
sebinho, sebito, sebite, caga-sebo, amarelinho, tem-tem-coroado e guaratã.
Tem apenas 11 cm de comprimento, mas se destaca pelo seu colorido vivo,
peito amarelo, dorso escuro, garganta esbranquiçada e sobrancelha
branca longitudinal.
O bico é relativamente longo e curvo. Aprecia
muito o néctar da flores, perfurando-as na base para sugá-lo.
Quando encontra um bebedouro de beija-flores com água doce, bebe
freqüentemente. Um bebedouro desses que mantemos em nosso local de
trabalho foi visitado durante mais de um ano e meio por uma cambacica que
tinha uma perna só e que voltava sempre, mesmo quando, por motivo
de férias, deixávamos de instalar o bebedouro por mais de
30 dias.
CANÁRIO-DA-TERRA (Sicalis flaveola).
O canário-da-terra é um pássaro
comum em todo o Rio Grande durante o ano inteiro.
A fêmea tem cor marrom-clara em cima, sendo
branca ou amarelo-clara em baixo, com riscos mais escuros no ventre. O
macho é predominantemente amarelo, com as costas algo esverdeadas,
contendo riscos escuros. Medem 13 cm e, ao contrário das demais
espécies da sua família (Fringillidae), prefere usar os ninhos
de cochicho ou joão-de-barro para botar seus ovos, em vez de construir
ninho próprio. Pertencem à sua família o coleirinho,
o tico-tico, o cardeal (que não aparece em Lagoa Vermelha) e o pintassilgo.
O canário-da-terra alimenta-se de sementes
e pequenos artrópodes e pode ser visto em arbustos e árvores.
É assim chamado para diferenciar do canário-do-reino, que
foi trazido de Portugal. Recebe também os nomes de canário-do-ceará,
canário-cabeça-de-fogo, canarinho e chapim.
COLEIRINHO (Sporophila caerulescens).
O coleirinho mede 11 cm e éassim chamado
por possuir na garganta uma faixa branca. O restante da plumagem tem cor
cinzenta, com ventre esbranquiçado. A fêmea é marrom-esverdeada
em cima e mais clara em baixo.
Sua alimentação é composta de
sementes de gramíneas e outras plantas de campo aberto, sendo, por
isso, também chamado de papa-capim. Éabundante no verão
em nosso Estado, tornando-se mais raro no inverno. Pode ser visto nos arbustos
e árvores baixas.
Recebe também os nomes de coleiro, coleirinha,
coleira-virada e coleiro-virado.
CORRUÍRA (Troglodites aedon).
A corruíra é pouco menor que o tico-tico
(12 cm). Tem bico alongado, cor marrom nas asas e cauda, com peito esbranquiçado.
Embora não tenha cor chamativa, seu canto é bem característico.
É comum fazer ninho em áreas habitadas, debaixo de telhas,
em vasos e plantas, ocos de troncos e até mesmo dentro de casas.
JOÃO-DE-BARRO (Furnarius rufus).
O joão-de-barro pode ser desconhecido por
muitas pessoas mas seu ninho todos conhecem. Macho e fêmea constroem
juntos uma casa de barro e pequenos galhos, muito resistente, em árvores
e postes, às vezes sobre outras casas do mesmo tipo. Tem uma cor
parda, ferruginosa nas costas e principalmente na cauda. Seu canto éforte,
até mesmo algo espalhafatoso. A fêmea costuma pôr três
ou quatro ovos, três vezes por ano. É também conhecido
como joão-barreiro, barreiro, forneiro e pedreiro.
PARDAL (Passer domesticus).
O pardal é nativo da Europa e norte da África
e foi trazido para o Brasil na década de 30 ou talvez antes. Aqui,
adaptou-se muito bem à cidade e hoje pode ser visto em todo o país.
Essa fácil adaptação permite que ela seja encontrado
em todos os continentes, exceto a Antártica.
O pardal macho tem uma mancha preta no peito e na
garganta (babador), manchas cor de ferrugem logo atrás dos olhos
e brancas nas laterais da garganta. A fêmea é marrom-cinzenta,
sem traços distintivos.
Como os tico-ticos, os pardais gostam muito de painço
e outros grãos, comendo também insetos e artrópodes.
Reunem-se em grandes bandos no fim do dia, em certas árvores, fazendo
grande alarido e só sossegando quando anoitece. Há quem diga
que eles expulsam os tico-ticos da cidade, mas isso é discutível.
Nossas observações, por exemplo, mostram que é comum
comerem juntos, sem brigar e, se algumas vezes o pardal expulsa o tico-tico,
outras vezes é este que expulsa o primeiro.
PINTASSILGO (Spinus megallanicus).
O pintassilgo mede 13 cm e tem uma coloração
viva, com predomínio da cor amarela, que aparece no ventre principalmente.
As asas têm cor amarela e preta. A cauda é preta mas, em vôo,
mostra também cor amarela. O macho tem cabeça preta. Na fêmea,
a cabeça e o dorso são esverdeados.
Costuma aparecer em bandos de 10 a 20 aves e prefere
o topo das árvores. Pode ser cruzado com o canário-do-reino,
dando um híbrido chamado pintagol. Alimenta-se de sementes de capim
e é também conhecido como pintassilva e pintassilgo-do-campo.
QUERO-QUERO (Vanellus chilensis).
Embora considerado por alguns ave típica
do
Rio Grande do Sul, o quero-quero ocorre em todo o Brasil, mesmo ao Norte
do Equador e também na Austrália. É ave típica
do campo e aprecia terrenos abertos e úmidos, o que não impede
que seja vista próximo ao centro de Lagoa Vermelha. Na av. Presidente
Vargas, junto à esquina com a rua Dr. Jorge Moojen, há um
amplo terreno baldio onde já vimos diversos quero-queros.
O quero-quero mede 35 cm e exibe plumagem de cores
branca, preta e cinzenta, com um penacho bem visível na cabeça.
Muito mais conhecido que sua forma é o seu canto, facilmente reconhecível,
que pode ser ouvido a grande distância e do qual derivam alguns de
seus diversos nomes: quero-quero, téu-téu, tetéu e
terém-terém. Mostra um esporão alaranjado na asa,
usado para defesa.
É visto em todo o nosso Estado e em todas
as épocas do ano e tem algumas características marcantes:
nunca é visto empoleirado, apenas no ar ou no chão. Quando
alguém se aproxima do seu ninho, mostra-se agressivo e tenta expulsar
o invasor, mesmo que seja o Homem, dando vôos rasantes. Seu ninho
é feito no chão, em campo aberto e sem proteção.
A fêmea costuma pôr três ou quatro ovos, na primavera.
Além dos nomes citados, recebe também
os de gaivota-preta, espanta-boiada e chiqueira.
(imagem do Quero-Quero enviada gentilmente por
Luciane Sturm)
ROLINHA-PICUÍ (Columbina picui).
Segundo Belton, a rolinha-picuí aparece em
todo o Estado, exceto na região Nordeste, nas áreas acima
de 800 m de altitude. Entretanto, Lagoa Vermelha se enquadra neste caso
e esta ave aparece aqui, pelo menos no verão. É um pássaro
de 16 cm, acinzentado (macho) ou cinza-amarronado (fêmea). O macho
tem a cabeça mais clara que o resto corpo, de um cinza meio azulado.
Quando voa, a rolinha mostra penas brancas na cauda e preto-e-brancas nas
asas. É bem menos arisca que o tico-tico e o pardal e, quando em
casais, mostra um comportamento muito amoroso.
SABIÁ-LARANJEIRA (Turdus rufiventris).
O sabiá-laranjeira é o mais conhecido
dos diversos tipos de sabiás, sendo uma das aves mais populares
do Brasil. É comum em todo o nosso Estado e durante o ano todo,
tanto em jardins como em florestas. Pode ser visto no chão, em arbustos
ou árvores. Costuma fazer ninho em laranjeira, daí seu nome.
Alimenta-se principalmente de frutas, apreciando
em especial a laranja, mas come também minhocas, lagartas e outros
animais. Mede 24 cm e tem cor laranja no ventre, o que o distingue do sabiá-coleira.
Tem um canto forte e alegre, mas pouco variado e que repete muitas vezes,
chegando a ser monótono. Mostra estrias na garganta.
É também conhecido como sabiá-cavalo,
ponga, piranga, sabiá-de-barriga-vermelha, sabiá-laranja,
sabiá-piranga, e sabiaponga.
SANHAÇO.
O sanhaço pertence à família
Thraupidae, que inclui os gaturamos e as saíras. Há vários
tipos de sanhaço, como o sanhaço-frade, o sanhaço-cinzento,
o sanhaço-de-coqueiro e o sanhaço-papa-laranja. Em Lagoa
Vermelha, parece-nos que ocorre o primeiro desses. O sanhaço-frade
tem plumagem principalmente azul-escura, parecendo, às vezes, ser
preto. Machos e fêmeas são muito semelhantes (ao contrário
do que ocorre com o sanhaço-papa-laranja, espécie em que
o macho é bem mais colorido que a fêmea).
Os sanhaços são todos grandes devoradores
de frutas. Eles preferem o mato mas podem ser vistos em jardins e pequenos
capões. Permanecem no nosso Estado durante todo o ano.
TESOURINHA (Muscivora tyrannus).
A tesourinha é uma ave facilmente reconhecível
por sua longa cauda bifurcada, que lhe dá o nome. Mede no total
28 cm se for fêmea ou 38 cm se for macho, tendo este cauda mais longa.
Tem ventre branco, costas cinzentas e cabeça e face pretas. Entre
as penas do alto da cabeça, tem algumas de cor amarela que não
costumam ser vistas, a não ser quando está excitada e/ou
fazendo galanteios.
Aparece no nosso Estado em fins de setembro, migrando
para o Norte em fins de fevereiro ou início de março, em
bandos que totalizam milhões de indivíduos, segundo Belton.
Costuma pousar nos fios, arames de cerca, antenas de televisão,
etc. A fêmea costuma botar quatro ovos, no período em que
aqui permanece. Alimenta-se de pequenos artrópodes e frutos.
TICO-TICO (Zonotrichia capensis).
O nome do tico-tico vem do tupi e deriva do seu
canto. Esta ave e o pardal devem ser as duas espécies mais comuns
no perímetro urbano de Lagoa Vermelha. Muitas pessoas confundem
esses dois pássaros, apesar de terem diferenças facilmente
percebíveis. O tico-tico tem cor marrom e mostra três listas
pretas longitudinais na cabeça, com nuca cor de ferrugem características
que o pardal não mostra. O dorso é marrom e preto, listado
e a garganta é branca. A distribuição das cores é
a mesma no macho e na fêmea. No tamanho, sim, assemelha-se ao pardal,
medindo ambos 15 cm. Filhotes que já abandonaram o ninho mas ainda
são alimentados pela mãe não mostram faixas pretas
na cabeça e a mancha cor de ferrugem na nuca, tendo o peito pontilhado
em preto e branco.
O tico-tico costuma fazer ninho no chão e
muitas vezes fêmeas de vira-bostas nele põem seus ovos. Quando
nascem os filhotes, pode-se ver a fêmea do tico-tico dando comida
no bico aos filhotes do vira-bosta, bem maiores que ela, com a mesma dedicação
com que alimenta seus próprios filhos.
O tico-tico é o pássaro de maior distribuição
no nosso Estado, sendo visto em todas as suas regiões e durante
o ano inteiro. Em outros pontos do país é também chamado
de maria-é-dia e maria-judia.
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